sexta-feira, 30 de junho de 2017

Poema do Mês de Junho de 2017


Perdi os Meus Fantásticos Castelos
(Poema da autoria de Florbela Espanca; 1894-1930)


Perdi meus fantásticos castelos 
Como névoa distante que se esfuma... 
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: 
Quebrei as minhas lanças uma a uma! 

Perdi minhas galeras entre os gelos 
Que se afundaram sobre um mar de bruma... 
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – 
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! 

Perdi a minha taça, o meu anel, 
A minha cota de aço, o meu corcel, 
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias... 

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... 
Sobre o meu coração pesam montanhas... 
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 



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Imagem da autoria de Jorge Santos

Cartoon do Mês de Junho de 2017





Imagem nº 1 - Homenagem às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. Muitas delas pereceram na estrada, completamente cercadas pelo fogo indomável.
Cartoon da autoria do artista esmorizense Marco Joel

Foto do mês de Junho de 2017



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Imagem nº 1 - O incêndio de Pedrógão Grande causou a morte de 64 pessoas, tendo deflagrado entre os dias 17 e 24 de Junho. Uma tragédia nacional que deverá ter sido originada por uma trovoada seca.
Foto - Nuno Botelho

Vídeo sobre o Parque Ambiental do Buçaquinho

Após já termos publicado vídeos sobre a Praia de Esmoriz e a Barrinha, eis que agora difundimos um novo sobre aquele que é considerado, para muitos, o terceiro ex-libris da cidade de Esmoriz. Trata-se do então recente Parque Ambiental do Buçaquinho (inaugurado em 2013) que faz as maravilhas dos visitantes.
Mais um vídeo para ver, rever e partilhar!



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Vídeo sobre os Passadiços da Barrinha

A Barrinha de Esmoriz apresenta agora uma nova "faceta", certamente mais rejuvenescida. Apesar das fontes poluidoras não terem sido ainda eliminadas, a verdade é que este sítio ambiental é agora um espaço coberto por passadiços e uma ponte que fará a ligação entre Esmoriz e Paramos.
O vídeo que então realizámos fala por si.




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A abertura do Arraial da Barrinha resistiu ao tempo adverso

Caía a noite do dia 29 de Junho. Os derradeiros preparativos para a grande festa da cidade de Esmoriz já haviam sido ultimados durante os últimos dias. Apesar de alguns chuviscos e de um tempo pouco convidativo, a verdade é que houve, ainda assim, alguma afluência por parte dos cidadãos neste primeiro dia. Além disso, não nos podemos olvidar que era ainda dia de trabalho, pelo que se espera agora uma maior adesão no decurso do próximo fim de semana.
Como é costume, não faltaram as tradicionais barraquinhas das colectividades que se dedicavam à comercialização de produtos gastronómicos, bem como as tendas destinadas à venda de artesanato, artigos de decoração, tecidos, etc.
Nesta primeira noite do Arraial da Barrinha, a animação coube ao grupo musical "Virgem Suta" (veja-se vídeo em baixo) que proporcionou um som agradável, abrilhantando um pouco mais aquela noite.
Segue-se a nossa reportagem fotográfica.
















































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quarta-feira, 28 de junho de 2017

A campanha eleitoral está aí à porta...

Não tarda nada a cidade de Esmoriz, bem como todas as outras localidades do país, será inundada por carros e cartazes de propaganda. Esperam-se pois novos recordes ao nível da poluição sonora. Além das buzinadelas, teremos ainda de levar com os temas musicais de alguns autores clássicos (como por exemplo, as célebres melodias messiânicas de Vangelis e de outros músicos similares), os quais provavelmente são plagiados para fins políticos sem o seu conhecimento ou autorização prévia.
Mas nem tudo é mau no meio disto tudo. As campanhas políticas favorecem o intercâmbio de ideias, a auscultação da própria população, a sugestão de correcções, a proposta de novas alternativas com recurso à imaginação e criatividade, e claro, a introdução de novos projectos. 
É importante que os órgãos de comunicação social locais saibam difundir devidamente todas as ideias que possam vir a ser reveladas, tratando com equidade todas as candidaturas. Porque no fundo todos ficamos a ganhar quando o debate é construtivo, objectivo e sólido. Tanto o partido do poder como aqueles que moram na oposição são essenciais para o diálogo democrático. 
No entanto, esta altura pré-eleitoralista é também frutuosa em termos de combinação de futuros conluios ou favores (ao nível dos concursos de pessoal e empreitadas), pelo que é necessário impor vigilância máxima, de forma a que não surjam situações inesperadas. É dever de todos pugnar por um jogo limpo, e este recado é dirigido a todos os intervenientes do período pré-eleitoralista.
Os dados estão lançados. De um lado, o PSD local aparece muito forte em Esmoriz e Ovar, mas houve algumas lacunas que poderão ser aproveitadas pela oposição de forma a que esta possa ganhar alguma preponderância.
Será talvez quase impossível destronar Salvador Malheiro e António Bebiano até porque ambos realizaram um trabalho sólido e consistente à frente das respectivas entidades administrativas locais, contudo houve falhas ou omissões que têm de ser obviamente relevadas pela oposição, cujo papel em Esmoriz e em Ovar tem de ser mais activo e construtivo de modo a que a comunidade esmorizense também possa ser favorecida com o aparecimento de novas visões.
Quantas mais cabeças pensarem em prol do futuro da Cidade da Tanoaria, melhor será para todos nós. Todas as ideias são por conseguinte bem vindas. 
Desafiamos ainda a classe política local a envolver ao máximo os cidadãos (sem claro, existirem promessas de favores e outras viciações absurdas à posteriori) de modo a reduzir os números da abstenção.
Acima de tudo, apelamos para que todos os candidatos sejam sérios e se apresentem com dignidade às urnas. A maior vitória não é ganhar umas eleições, como a maior derrota não será perdê-las, o mais grave que pode acontecer é transformar estas eleições num processo sem credibilidade, com insultos ou insinuações destrutivas à mistura, tentativa de subornos de votos, alugueres de carrinhas especiais nos dias dos sufrágios (isto já aconteceu, pelos vistos, em algumas terras do nosso país), etc., e aí sim não haverá glória para os vitoriosos como não haverá honra para os vencidos, mas antes um pesadelo que ninguém desejará tão cedo repetir, afastando ainda mais os cidadãos da política.
Todos os partidos envolvidos podem, caso façam uma campanha com uma mensagem forte, melhorar os seus resultados face a 2013. Podem dar um excelente contributo à causa local com as suas ideias.
Da nossa parte, iremos iniciar, já no próximo mês de Julho, a rubrica mensal (sairá sempre no fim de cada mês) "Visão sobre as Eleições Autárquicas em Esmoriz - 2017"onde abordaremos com rigor as propostas e as movimentações partidárias referentes, de forma exclusiva, à cidade de Esmoriz. E tentaremos nesse comentário mensal dar eco às ideias apresentadas até ao momento pelos partidos que aqui se apresentarão às urnas.



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Imagem nº 1 - Elementos da CDU em campanha na Praia de Esmoriz.
Foto meramente exemplificativa

Correio do Leitor - Karmen Arturo denuncia falta de civismo de alguns veraneantes

E isto foi o que encontramos hoje ao final da tarde, perto da Barrinha, na praia de Esmoriz.
Garrafas de cerveja partidas de propósito, latas de refrigerante...
É um alerta que queremos fazer a aqueles que possam ir passear lá hoje ou amanhã.
UM PERIGO ENORME 
Continuam a proibir a presença de cães na praia, mas pelos vistos a falta de civismo e respeito é mais perigosa do que os cães.
Aos que fizeram isto: TENHAM VERGONHA


Karmen Arturo





terça-feira, 27 de junho de 2017

Câmara Municipal de Ovar promove I Caminhada nos Passadiços da Barrinha de Esmoriz

No próximo dia 1 de Julho, pelas 17:30, a autarquia vareira irá promover uma caminhada que deverá percorrer toda a nova estrutura de passadiços que se encontra dispersa por Esmoriz e Paramos. O ponto de concentração irá situar-se na zona da entrada sul do passadiço, isto é, junto à ponte da Avenida Raimundo Rodrigues (por outras palavras, o acesso será talvez realizado a partir da zona desportiva).
Recorde-se que, apesar de não estar ainda marcada a inauguração, as obras já estão praticamente concluídas, pelo que se ultimam apenas os derradeiros retoques.
Os participantes da caminhada poderão comparecer livremente e desfrutar da paisagem que a lagoa oferece.




Quadro da autoria de Manuel Pinho sobre a Barrinha de Esmoriz

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Nova Ponte sobre a Barrinha

Apresentamos, de seguida, duas imagens sobre a nova ponte erguida sobre a Barrinha de Esmoriz. A autoria destas magistrais fotos pertence à SUP SOUL (associação promotora de paddle), tendo o seu autor recorrido a uma prancha de paddle para conseguir fotografar a nova estrutura que fará a ligação entre os passadiços de Esmoriz e Paramos.









Emmanuel Banda ruma ao campeonato belga

Era impossível o Sporting Clube de Esmoriz manter a sua coqueluche por mais tempo, após uma temporada memorável. O médio zambiano de 19 anos foi uma peça influente na temporada agora finda do Sporting Clube de Esmoriz, tendo ainda conquistado a CAN de sub-20 e realizado um brilhante Mundial de sub-20 ao serviço da sua selecção.
Desconhece-se ainda os valores da transferências mas sabe-se que Emmanuel Banda assinou pelo Oostende, clube da I Divisão Belga, deixando assim as divisões distritais portuguesas. Na época de 2016/2017, esta turma havia terminado numa sensacional quarta posição, o que lhe permitirá disputar a eliminatória de acesso à Liga Europa. 
Emmanuel Banda deixa assim o Sporting Clube de Esmoriz pela porta grande, assinando por um clube que procura ganhar algum protagonismo europeu e depois de vencer a Taça Distrital de Aveiro pela turma da Barrinha.





Imagem nº 1 - Emmanuel Banda é reforço do Oostende do campeonato belga.
Fotografia: Reprodução/KV Oostende
Notícia - Jornal O Jogo

domingo, 25 de junho de 2017

Versos Cá da Terra XIII


Ai, Portugal, Inferno Terreal
(Poema da autoria de Ana Roxo)


Ai, Portugal, Inferno Terreal...
Tua alma arde e ardeu...
Negra, laranja, encarnada;
Alma ferida, morta, dilacerada!

Ó que tragédia sem fim, esta
A morte fez nos corpos, sua festa!
Quantos choram e chorarão...
Caem lágrimas enquanto arde o Coração!

Alguns poderão culpar o Criador,
Como responsável, orquestrador,
Mas, são coisas da fera Humanidade...
Da Natureza em toda a sua grandiosidade.

Por vezes, tal grandiosidade, traz a mortandade...
Não vamos apontar o dedo a ninguém,
Perderam-se imensas vidas aqui e além,
Eles viajaram muito cedo rumo à Eternidade!

Portugal, tem o Coração a arder, a chorar...
Mas continua a ter heróis sem capa ou espada...
Aqueles que sem dormir, se foram sacrificar,
Que dão até a vida, que parece ser nada!

Choramos todos nós as lágrimas de Portugal,
O sangue escorre pelo rosto do país infeliz.
De todo o mundo, recebemos apoio,afinal...
Ó, quando acaba, este inferno ainda petiz?

Há tantos heróis sem capa nem espada,
Que surgem aparecidos do nada,
Pessoas comuns e de boa acção
Mas o maior herói é o bombeiro bom
A água é a fonte do seu coração,
Apaga o fogo, mas não a desolação!

Ai, Portugal, ainda continuas a lágrimas, verter...
Estás ferido em toda a profundeza da tua alma,
Quando será, afinal, que este Inferno, acalma?



Imagem relacionada

Imagem meramente exemplificativa retirada de: http://dssf.cm-cinfaes.pt/index.php/contactos/item/365-bombeiros

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O início do solstício em Esmoriz

Apresentamos em seguida um pequeno vídeo sobre a nossa Praia de Esmoriz. As gravações decorreram durante o dia 22 de Junho de 2017.




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Os belos rostos das dez candidatas a Miss Esmoriz 2017

No passado dia 17 de Junho, foram seleccionadas as dez finalistas do Primeiro Concurso que visará a eleição da Miss Esmoriz 2017, iniciativa que decorrerá a 15 de Julho no Pé N'Areia.
De acordo com o Site Juízo de Bancada e, através de informações reveladas pelas organizadoras Maribel Bastos e Susete Norte, estas serão as dez finalistas da competição:





1 - Bruna Castanheira




2 - Carolina Raposo




3 - Daniela Sousa





4 - Diva Martins 




5 - Jéssica Santos




6 - Joana Dias




7 - Liliana Barros




8 - Rita Estrelinha




9 - Rita Marques




10 - Susana Rocha

Processo "Ajuste Secreto" pode chegar a Ovar e a mais concelhos do distrito

Hermínio Loureiro e o seu sucessor à frente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Isidro Figueiredo, são encarados pela Polícia Judiciária do Porto (PJ) como os principais arguidos da Operação Ajuste Secreto — apurou o Observador junto de fontes próximas do processo. Suspeitos de corrupção passiva, prevaricação, entre outros crimes de funcionário, Loureiro e Figueiredo são apontados pela PJ como os alegados autores de um esquema de manipulação de adjudicação de contratos públicos que terão beneficiados diversas empresas de construção de obras públicas.
Lançada esta manhã, a Operação Ajuste Secreto levou à detenção de Loureiro, Figueiredo, um funcionário camarário e de mais quatro empresários que estarão ligados às empresas de construção envolvidas no caso, sendo suspeitos de corrupção ativa.
A PJ já apreendeu 15 imóveis, seis viaturas e solicitou o congelamento judicial de um total de cerca de 6 milhões de euros depositados em diversas contas bancárias. Todos estes bens e valores poderão ter, na perspetiva da Judiciária, uma alegada origem ilícita relacionada com a investigação em curso. Daí a sua apreensão judicial.
Estão em causa a adjudicação de diversas obras relacionadas com clubes de futebol do concelho de Oliveira de Azeméis, nomeadamente com a União Desportiva Oliveirense (o principal clube do concelho), Atlético Clube de Cucujães e Futebol Clube Macieirense. Há mais dois clubes de futebol envolvidos.
De acordo com fontes da PJ, o esquema consistia numa alegada manipulação dos ajustes diretos que precediam as obras pagas pela autarquia.

  • As empresas de construção civil seriam escolhidas a dedo pelos responsáveis camarários, de forma a combinarem entre si os preços das propostas que apresentariam à autarquia;
  • O vencedor do ajuste direto (que, desde a criação do Código dos Contratos Públicos no Governo de José Sócrates, passou a assemelhar-se a uma consulta ao mercado através de convite dirigido a diversas empresas) ficaria determinado logo à cabeça pelas sociedades;
  • O preço final da obra era sempre claramente sobreavaliado, de forma a que os montantes remanescentes entre o custo real e aquilo que a autarquia pagava fosse alegadamente desviado.



A Diretoria do Norte da PJ anunciou no comunicado desta manhã que tinha realizado buscas judiciais em cinco autarquias. Ao que o Observador apurou, as autarquias de Matosinhos, Gondomar e Albergaria-a-Velha foram visitadas pelos magistrados do Ministério Público e pelos cerca de 90 inspetores da PJ que participaram nas diligências.
Contudo, os executivos dessas autarquias não são visados pela investigação em curso. As buscas realizadas tinham como objetivo a obtenção de documentação das empresas envolvidas nos ajustes diretos da Câmara de Oliveira Azeméis. Segundo fontes próximas do processo, os Executivos liderados por Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo são, para já, os únicos visados do inquérito que é tutelado pela secção de Santa Maria da Feira do DIAP de Aveiro, visto ser esta a comarca territorialmente competente.
Hermínio Loureiro, Isidro Figueiredo e os restantes detidos foram ouvidos esta tarde nas instalações da Diretoria do Norte da PJ e só amanhã deverão ser ouvidos pelo juiz de instrução criminal do Tribunal de Santa Maria da Feira para a fixação das primeiras medidas de coação. É desconhecido o estabelecimento prisional onde deverão passar a noite.
Ao que o Observador apurou, José Francisco Oliveira será o funcionário camarário detido. Trata-se de um aliado político de Hermínio Loureiro que é presidente da concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis e secretário da distrital social-democrata de Aveiro.
Outro dos detidos será o empresário João Sá. É um ex-deputado do PSD que se dedicou aos negócios na área do Ambiente. Sá chegou a ser falado na década passada como candidato do PSD à Câmara da Trofa.



Notícia retirada do Site Observador
(Artigo da autoria de Luís Rosa)




O Processo "Ajuste Secreto" poderá vir a ser um terrível terramoto político no distrito de Aveiro. Estão em causa eventuais infracções cometidas em torno de concursos adjudicados por Ajuste Directo. Por outras palavras, o Ajuste Directo, adjudicação de obras a empresas por convite sem a realização prévia de concurso, embora eticamente pouco recomendável, é permitido por lei, contudo quando este se torna recorrente e envolve a troca de favores ou contrapartidas ilícitas (por ex: desvios de somas importantes) já assume proporções criminais.
É plausível que as buscas já realizadas em cinco autarquias possam não ficar por aqui. As autoridades querem apurar todas as ligações possíveis, e acredita-se que estas também deverão estender-se até Ovar e a outros concelhos, caso os promotores da investigação achem necessário. Recordamos para esse efeito que a empresa Paviazemeis, visada no processo, teve aqui obras importantes. Por exemplo, a recente pavimentação da Rua da Indústria em Esmoriz foi-lhe adjudicada, mas houve outras mais que lhe foram confiadas pelo município vareiro. Outras personalidades visadas estão fortemente conotadas com a Secção Distrital do PSD Aveiro, liderada desde 2016 pelo actual presidente do município de Ovar. Claro que estes dados não servem para provar (ou sequer indiciar) rigorosamente nada, mas podem ser suficientes para suscitar a atenção dos investigadores que estão dispostos a explorar a fundo todas as vertentes do caso, de forma a evitar um cenário de arquivamento ou de morosidade burocrática.
Embora as buscas nas edilidades tenham como o intuito apurar mais dados comprometedores das personalidades políticas e empresas de construção acusadas inicialmente, a verdade é que o processo poderá ter, em breve, mais arguidos, caso assim se justifique.
Uma fonte privilegiada adverte que Ovar poderá ser uma das autarquias a ser alvo de buscas muito em breve, visto que a investigação ainda está numa fase inicial, pelo que se pretende apurar todas as ramificações.
Com este texto, não queremos insinuar que teremos arguidos aqui em Ovar (e mesmo que estes venham a ser notificados, existe sempre a "presunção de inocência" num estado democrático), até porque é prematuro retirar esse tipo de conclusões e não temos o direito de julgar ninguém. Todavia, é provável que quase todo o distrito seja alvo de uma forte investigação judicial. 
O epicentro do terramoto registou-se em Oliveira de Azeméis mas as réplicas poderão repercutir-se por todo o distrito de Aveiro. 





Imagem nº 1 - O Ajuste Directo é o mais recente escândalo de corrupção que envolve altas figuras políticas do distrito de Aveiro. A "bomba" rebentou em Oliveira de Azeméis, mas a investigação já chegou a outras autarquias e pode não ficar por aqui.

Feirinha continua a animar a Praia de Esmoriz

A chegada do Verão não impede que a feirinha tradicional de velharias (não confundir com a recente criação da Grande Feira de Antiguidades que se realiza no Parque da Revenda) continue a animar às quintas-feiras a zona da Praia de Esmoriz, nas imediações da rotunda do monumento à Arte Xávega.
Estas fotos foram retiradas ao início da tarde quando a mobilização era ainda reduzida, mas por volta das 17 horas por ali passamos novamente, e já registávamos uma afluência bem mais aceitável. 
Para quem gosta de objectos repletos de nostalgia e história então não custa nada visitar esta feirinha. 


















O aquecimento global poderá sentenciar o fim da nossa orla costeira

De acordo com um estudo do Site VortexMag, 24 cidades portuguesas deverão desaparecer ou ficar com os domínios territoriais mais comprimidos até 2050 devido ao Aquecimento Global, fenómeno que se tem traduzido no derretimento das calotas polares e no subsequente aumento do nível do mar. 
A situação é alarmante visto que o degelo do Ártico está a avançar a um ritmo mais rápido do que aquilo que os cientistas julgavam inicialmente. O aumento das temperaturas nos próximos anos poderá provocar um elevar do nível dos águas até mais sete metros. 
Apresentamos de seguida os cenários mais temidos para os concelhos de Espinho e Ovar que infelizmente integram aquela lista apocalíptica de cidades que poderão sofrer bastante com a ameaça marítima. Os leitores poderão carregar em cima destas imagens para visualizarem melhor as projecções traçadas para 2050. 








terça-feira, 20 de junho de 2017

Quem já foi aqui petiscar?

Esmoriz pode até não ser muito conhecido pelos seus estabelecimentos de fast-food, mas há pelo menos uma parte da nossa cidade que se encontra e reencontra no Nicolau das Bifanas. Ali o povo conversa ao sabor de umas belas sandes e ainda tenta usufruir um pouco da maresia marítima. Sim, o estabelecimento localiza-se mesmo à frente da Capela da Praia, mesmo perto do mar. É já um lugar de peregrinação gastronómica para todos que desejam consolar o seu paladar.
Aquele estabelecimento, o qual muitos consideram o "Rei da Noite", faculta uma panóplia de ofertas ao cliente sempre fiéis ao mandamento de uma boa bifana. A simplicidade do lugar e do seu dono contrastam com o requinte do produto confeccionado. 
E quando juntamos um visionário da culinária, como é o senhor Nicolau, a um artista do desenho, Marco Joel, o resultado só poderia ser este:




Cartoon Magnífico da autoria de Marco Joel

Alunos do Agrupamento de Escolas de Esmoriz fizeram boa figura no Campeonato Regional de Badminton

No passado dia 2 e 3 de Junho, em Castelo Branco, os alunos do Agrupamento de Escolas de Esmoriz/ Ovar Norte – Daniel Pinto (ES Esmoriz), Bruno Silva (ES Esmoriz) e Luís Valente (EB Maceda), participaram no Campeonato Regional de Badminton, no âmbito do Desporto Escolar. O aluno Bruno Silva (10ºD), competindo no escalão de juvenis masculinos, foi eliminado na fase de grupos. Todavia, os alunos Daniel Pinto (9ºB) e Luís Valente, do escalão de iniciados masculinos, disputaram a fase de grupos, tendo-se apurado para as meias-finais e finais. A final deste escalão disputou-se entre os alunos deste agrupamento Daniel Pinto vs Luís Valente. Sagrou-se campeão do escalão de iniciados masculinos, o aluno Daniel Pinto (9ºB – ES Esmoriz), que fez uma belíssima prova durante todo a competição. 
Estes alunos, Daniel Pinto (ES Esmoriz – 1º lugar) e Luís Valente (EB Maceda – 2º lugar), ficaram automaticamente apurados para o Campeonato Nacional de Desporto Escolar – Badminton, a realizar entre os dias 28 de Junho a 1 de Julho, no Algarve.




Notícia e Foto retiradas da Página do Agrupamento de Escolas de Esmoriz - Ovar Norte

Já foram apuradas as 10 finalistas da Miss Esmoriz 2017

Já são conhecidas as 10 candidatas que irão disputar a final de 15 de Julho relativa à designação da Miss Esmoriz de 2017, cerimónia que terá lugar no estabelecimento do Pé N'Areia. As  finalistas terão entre 18 e 28 anos de idade e prometem fazer aquecer ainda mais a Praia de Esmoriz.
De acordo com o Juízo de Bancada, as seleccionadas foram as seguintes: Bruna Castanheira, Carolina Raposo, Daniela Sousa, Diva Martins, Jéssica Santos, Joana Dias, Liliana Barros, Rita Estrelinha, Rita Marques e Susana Rocha.




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Salvador Malheiro promete cumprir mandato até ao fim e conquista apoio importante

No passado dia 17 de Junho, a Arena do Dolce Vita de Ovar foi o palco para a apresentação da candidatura de Salvador Malheiro a um segundo mandato. Mais de duas mil pessoas fizeram questão de estarem presentes para concederem o seu apoio ao edil, cujo favoritismo à reeleição é estrondoso. 
A apresentação contou ainda com um concerto de Miguel Gameiro que animaria todos os presentes. Várias pessoas do PSD nacional estiveram presentes, nomeadamente Marques Mendes. 
Quanto ao seu discurso, Salvador Malheiro recordou a obra feita, mas deixou uma garantia - quer cumprir o mandato até ao fim, evitando o cenário de saída no próximo sufrágio legislativo. Salvador Malheiro voltou a reunir o apoio de mais uma figura determinante - Manuel Oliveira, visto por muitos como o melhor presidente da Câmara Municipal de Ovar nos últimos 30 anos. O socialista será um trunfo de peso para credibilizar ainda mais a candidatura social-democrata.
A candidatura de Salvador Malheiro parece imparável, sempre com uma mensagem forte e uma proximidade ímpar para com o povo. 
Apesar de algumas lacunas do ponto de vista ético, a verdade é que muitos já antecipam uma vitória fácil do actual edil e sua equipa.
Na oposição, apenas o CDS-PP Ovar parece fazer alguma sombra e demonstrar um activismo capaz de propor alternativas ao actual modelo.





Imagem nº 1 - Salvador Malheiro contará com o apoio oficial de Manuel Oliveira, o seu antecessor no cargo de presidente da Câmara Municipal de Ovar.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bombeiros de Esmoriz actuam num dos teatros de operações mais adversos

A pedido do CDOS de Aveiro foi accionado o VFCI-03 com 5 Bombeiros para Integrar GRIF de Aveiro para Incêndio Florestal em Gois concelho de Coimbra.
Tambem foi acionado o VCOT-2 Com o Comando 2 para incendio Florestal em ALVAIÁZERE concelho de Leiria

Informação avançada pelos Bombeiros Voluntários de Esmoriz no Facebook


Desejamos muita força e coragem aos nossos soldados da paz no combate a este fenómeno adverso sem memória que já causou 64 mortos. Apesar de não estarem a lidar directamente o fogo de Pedrógão Grande, os nossos bombeiros estarão sim a enfrentar outro incêndio bastante ameaçador que deflagrou em Góis - Coimbra.
Um bem-haja pelo vosso sacrifício.





domingo, 18 de junho de 2017

Pérolas Históricas de Esmoriz XII - O Príncipe estrangeiro que visitou a Barrinha

"Príncipes reais se ocupam em estudar, e mulheres incultas em beijando sapos".




Claudeci Ferreira de Andrade
Licenciado em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Goiás 



1. A sua passagem pela Barrinha


Corria o ano de 1842, quando o príncipe alemão Félix Lichnowsky visitou Portugal, tendo procedido à descrição de diversos lugares "lusitanos". A Barrinha de Esmoriz teve a sorte de ser uma das pérolas contempladas durante a sua digressão.
Na sua colossal obra "Esmoriz e a sua História" (p. 242; monografia publicada em 1986), o padre Aires de Amorim afirma o seguinte:


"No século passado, em 1842, o príncipe alemão Félix Lichnowsky descrevia a Barrinha de Esmoriz como um «extenso e profundo braço do mar", cuja travessia lhe durara um quarto de hora".


O leitor poderá cair na tentação de desvalorizar este pequeno testemunho, mas recomendamos a que não o faça, porque a partir daqui poderemos extrair uma vastidão de conclusões.
Em primeiro lugar, encontramos registo de um conceituado príncipe estrangeiro que navegou sobre as águas da Barrinha de Esmoriz. Terá sido o único da história a fazê-lo? Ou será que também tivemos reis portugueses que o fizeram no passado, embora tal feito nunca tivesse ficado perpetuado na documentação? Claro que não possuímos elementos que nos permitam fornecer uma resposta concreta a estas questões, mas não deixa de ser relevante o facto da Barrinha ter sido visitada por um príncipe alemão, durante o século XIX. Nessa altura, relembramos que Esmoriz era apenas uma povoação rural, contando com uma população cifrada entre 1000 a 2000 habitantes (segundo dados demográficos conhecidos para 1864, existiriam 1952 moradores em Esmoriz).
Em segundo lugar, podemos realçar que a caracterização efectuada por parte de Félix Lichnowsky nos remete para a existência duma lagoa que ainda mantinha consideráveis dimensões. Por isso, não hesitou em descrevê-la como "um extenso e profundo braço do mar" e confessou ainda que a travessia lhe tinha durado 15 minutos, período de tempo que tende a confirmar a realidade que acabamos de ilustrar. Por outras palavras, os graves problemas de assoreamento e da poluição com os quais a Barrinha se depara agora, não existiam com a mesma expressão em meados do século XIX.
É claro que partimos do princípio que, nesse ano de 1842, o príncipe Félix terá encetado a travessia de barco, até porque a ponte datada do ano de 1806 que estabelecia a ligação entre Esmoriz e Paramos estaria já em péssimas condições (a segunda ponte, também efémera, só seria construída em 1854, depois da primeira já se encontrar em muito mau estado ou até mesmo intransitável). Aliás, se ainda se reunissem condições para atravessar a Barrinha através da ponte rudimentar (apesar da insegurança total), o príncipe germânico não desperdiçaria 15 minutos a fazê-lo, mas seguramente muito menos tempo. No entanto, cremos que a "primeira" ponte de 1806 estaria já praticamente desabilitada em 1842... Por outro lado, as travessias de barco deveriam ser frequentes durante o século XIX, com muitas delas a conhecerem o seu ponto de partida no cais localizado nas proximidades da Estação de Esmoriz (esta inaugurada em 1863). No entanto, desconhecemos se esta prática específica já se vislumbrava em 1842, altura da visita do afamado príncipe. 
A tradição inerente à presença de barcos na Barrinha de Esmoriz é algo que já remonta às inquirições de D. Dinis no século XIII (1288), onde foi feita menção à existência dum pequeno porto que serviria de abrigo a pequenas ou médias embarcações conotadas com a prática pesqueira. No entanto, cremos que esse porto se terá extinguido num período bem anterior ao século XIX.
Por fim, registamos outra conclusão à volta deste testemunho - era seguramente bastante arriscado ou até ousado atravessar a nado a lagoa nesses tempos. Decerto que, na altura, existiam memórias trágicas motivadas pelas águas traiçoeiras que desgraçaram as vidas de pescadores, aventureiros ou até de banhistas azarados. A sua extensão e profundidade garantiam-lhe uma beleza ímpar naqueles tempos, mas também impunham respeito a qualquer um, até mesmo ao príncipe alemão que não hesitou em recorrer a um barco para atravessar a Barrinha em segurança.





Imagem nº 1 - A Barrinha de Esmoriz já foi visitada no passado por personalidades reputadas, mas será que ela não guardará exclusivamente para si própria segredos ou histórias passadas que jamais os historiadores contemporâneos lograrão desenterrar?
Fotografia datada de 1920




2. Quem era Félix Lichnowsky?


Félix foi o quarto príncipe de Lichnowsky (estatuto que aparentemente lhe cedeu o "apelido") e conde de Werdenberg, tendo vivido entre os anos de 1814 e 1848. A posição que ocupava conferia-lhe algum prestígio. Os "Lichnowsky" pertenciam à alta aristocracia, e a existência desta família ou linhagem nobiliárquica remontava ao século XIV com raízes situadas na Silésia e na Morávia. 
Em 1834, Félix ingressou no exército prussiano, mas quatro anos depois, já o encontramos a servir D. Carlos, pretendente ao trono espanhol, e no decurso dessa sua aventura, chega a alcançar a patente de brigadeiro. Ficaria ferido com gravidade após um duelo com o General Montenegro, e acaba mesmo por abandonar Espanha para depois circular por grandes cidades como Paris, Bruxelas e Berlim. Nestas suas deslocações pela Europa, terá então tido tempo em 1842 para visitar Portugal (tinha na altura 28 anos de idade).
Durante a década de 1840, foi ainda membro da Dieta Prussiana (Parlamento da Prússia) e "deputado" eleito da Assembleia Nacional Alemã. Nesses seus novos afazeres destacou-se em matérias económicas, constitucionais e inclusive em assuntos de política externa.
Félix Lichnowsky também nos deixou importantes escrituras, onde censurava as exageradas regalias que os nobres espanhóis usufruíam, enquanto a miséria popular abundava naquele país. Por outro lado, criticou as condições desumanas dos operários têxteis na Silésia, sugerindo medidas que remetessem para uma maior dignificação do seu trabalho. Defendeu também a promoção das exportações deste sector específico dos têxteis. Considerava-se ainda um ardente defensor da Legitimidade Católica e pugnou pela causa duma monarquia constitucional.
Por outras palavras, Félix não era apenas um alto aristocrata, mas igualmente um pensador político e um homem de causas.
Em 1848, foi trucidado juntamente com a sua escolta por uma multidão (ou quadrilha) furiosa de revoltosos que não digeriu bem a Trégua de Malmö que traduziu-se na assinatura dum cessar-fogo que favoreceu os interesses dos dinamarqueses que assim mantiveram o seu controlo sob os ducados de Schleswig e Holstein.
Tal como o seu avô (Karl Alois) que fora protector de Beethoven, também Félix foi uma espécie de mecenas, tendo apoiado Georg Friedrich List (1789 - 1846), um economista que defendia a integração económica entre países que possuíssem um nível equiparável de desenvolvimento, além de apelar ao proteccionismo das nações menos desenvolvidas. 





Imagem nº 2 - Félix Lichnowsky (1818-1848) foi príncipe, militar, político, pensador e ainda mecenas.
Retirada do Wikipédia.




Imagem nº 3 - O príncipe germânico Félix Lichnowsky e o seu general Hans von Auerswald foram assassinados por uma multidão em fúria. Apesar de fatalmente ferido, Félix só sucumbiria no dia seguinte ao ataque cruel.
Retirada do Site Wikiwand




Tropper 1849.jpg

Imagem nº 4 - Os dinamarqueses retornam triunfantes à sua capital - Copenhaga (ano de 1848).
As tréguas de Malmö afectaram definitivamente a credibilidade de Félix Lichnowsky, representante da Confederação Germânica e da Prússia que havia participado nas negociações, acabando este por sucumbir a um ataque de revoltosos, durante aquele ano terrível que foi marcado por levantamentos em toda a Europa.
Quadro da autoria de Otto Bache




3. Anexo - Porque é que Félix Lichnowsky visitou Portugal?


"Preocupada com o endividamento de Portugal perante Inglaterra, D. Maria II terá pedido a colaboração de seu marido, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha-Koháry, que decidiu estudar a situação para lhe encontrar uma solução. Assim foi que o Príncipe Félix Lichnowsky, famoso pela sua actividade no campo da política económica, foi convidado a visitar Portugal.
Para além do endividamento externo de Portugal, Lichnowsky ficou chocado com a miséria em que o povo português vivia e com o atraso flagrante de todo o país. Isso constatou na visita que decorreu entre 24 de Junho e 5 de Agosto de 1842, impressões que deixou claramente expressas no livro que publicou um ano depois da visita intitulado Portugal: Memórias de 1842.
Para referir um exemplo do atraso geral, Lichnowsky informa os seus leitores de que em Portugal havia apenas dois breves trechos de estradas pavimentadas e, mesmo assim, com despicienda manutenção: Lisboa-Sintra e Condeixa-Coimbra. O diagnóstico da situação referia também a carência de caminhos-de-ferro e da regularização de cursos fluviais (sobretudo o Tejo e o Mondego). Portugal dependia do seu litoral para aceder ao desenvolvimento a fomentar pelo comércio internacional. Apenas os portos de Lisboa, Setúbal, Porto e Aveiro dispunham de condições para exportar o sal marinho, a cortiça, o azeite, a fruta e o vinho, produtos que, no âmbito do relacionamento preferencial com Inglaterra, tornavam a balança comercial portuguesa muito negativa e, daí, o endividamento externo.
O relacionamento preferencial de Portugal com Inglaterra resultava linearmente, na opinião de Lichnowsky, do Tratado de Methuen. Ou seja, Portugal teria que diversificar as suas preferências comerciais externas e, para tal efeito, nada melhor do que estabelecer novas relações com a Prússia.
 Baseado no liberalismo de Adam Smith, o Tratado de Methuen, também referido como Tratado dos Panos e Vinhos, foi um diploma assinado entre Inglaterra e Portugal em 27 de Dezembro de 1703 e previamente negociado pelo Embaixador extraordinário britânico John Methuen em representação da Rainha Ana da Grã-Bretanha e por D. Manuel Teles da Silva, marquês de Alegrete, em representação de D. Pedro II.
Pelos seus termos, os portugueses comprometiam-se a consumir os têxteis britânicos e, em contrapartida, os britânicos comprometiam-se a comprar os vinhos de Portugal"


Este texto citado é da autoria de Henrique Fonseca

O fogo que veio do inferno

Pelo menos 62 pessoas morreram no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria desde sábado, disse hoje o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.

O balanço anterior era de 58 vítimas mortais.

"Sempre que venho ter connosco infelizmente trago um número que tem aumentado: temos 62 mortos sendo que dois deles são vitimas de um acidente rodoviário na mesma via", afirmou Jorge Gomes, em declarações aos jornalistas no local.


Sobre o incêndio, o secretário de Estado afirmou que se mantêm as quatro frentes ativas, duas delas a arder "com muita violência" e duas em que os bombeiros estão a conseguir ganhar terreno.

No entanto, Jorge Gomes alertou que as autoridades estão muito preocupadas porque se estão a levantar ventos cruzados, situação que se verificou no sábado e que terá estado na origem deste grande incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

Sabe o DN que, neste momento, a frente do monte da Graça é a que merece mais preocupação e que os ventos estão a dificultar o combate às chamas.

Questionado sobre as dificuldades sentidas no combate ao fogo, Jorge Gomes diz que estão a ser utilizados os meios que as circunstâncias permitem e, depois de os meios aéreos não terem podido atuar logo desde as 08:00 devido a uma cortina de fumo, um Canadair espanhol já está neste momento no local.

"Estamos a lutar, os nossos operacionais de excelência estão a lutar e vamos vencer esta luta", afirmou.

Sobre a área ardida, Jorge Gomes disse que já foi feita uma primeira vistoria mas uma análise mais minuciosa terá de esperar e acrescentou que no local estiveram membros da comissão parlamentar de Agricultura, que possui um grupo de trabalho para os incêndios, que vieram transmitir a sua solidariedade.

Três dias de luto nacional

O Governo decretou entretanto três dias de luto nacional. O Conselho de Ministros aprovou um decreto que declara luto nacional entre hoje e terça-feira, pelas vítimas do incêndio que deflagrou no Município de Pedrógão Grande e afetou vários concelhos.

Em comunicado, o Governo adianta que este decreto foi aprovado "fazendo uso da faculdade de deliberação eletrónica prevista nos termos do Regimento do Conselho de Ministros".

O decreto, lê-se no comunicado, "produz efeitos a partir do dia 18 de junho de 2017 [hoje] e entra imediatamente em vigor".

Ao início da tarde, o primeiro-ministro António Costa chegou a Pedrógão Grande, onde disse aos jornalistas que "chegará o momento de apurar o que é que aconteceu". "Sabíamos que era um dia de risco, houve mais de 56 incêndios, e este teve uma dimensão de tragédia humana de que não havia memória".

O primeiro-ministro explicou ainda que "a prioridade tem sido dada ao combate aos incêndios que ainda estão a lavrar, à identificação das vítimas, não só as que já foram encontradas como porventura as que ainda vamos encontrar, porque há zonas a que ainda não conseguimos ter acesso, e prever o que pode acontecer logo à tarde", referiu, acrescentando que são esperadas condições meteorológicas semelhantes às de sábado, dia em que o incêndio deflagrou.

Costa frisou ainda que já recebeu manifestações de solidariedade de todos os líderes políticos da Europa e que teve oportunidade de falar com todos os líderes partidários nacionais. "Quero sublinhar o grande sentido de unidade nacional com que o país está a enfrentar esta tragédia".

PJ no terreno

O cenário na zona onde lavra o incêndio é de um castanho queimado, constatou já esta manhã o repórter do DN no terreno. As chamas estiveram a 50 metros do centro de Pedrógão Grande.

A PJ está já a trabalhar no levantamento dos corpos; equipas no terreno estão a fazer deteção de cadáveres, dando depois informação à Polícia Judiciária, que os recolhe.

O diretor nacional da Polícia Judiciária revelou entretanto que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa. "A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio", disse Almeida Rodrigues.

O Presidente da República suspendeu a agenda até terça-feira devido ao incêndio de Pedrógão, disse à agência Lusa fonte de Belém. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinha agendado para hoje a entrega do Prémio D. Diniz, da Fundação da Casa Mateus, ao escritor Mário Cláudio.





Imagem nº 1 - Um incêndio devastador em Pedrõgão Grande semeou a mortandade.
Direitos da Notícia - Diário de Notícias/LUSA
Artigo da autoria de Carlos Rodrigues Lima e Bárbara Cruz
Foto - Miguel Lopes/LUSA




Ninguém se recorda de um fogo tão infernal que tivesse provocado tantas vítimas mortais. Tudo começou com uma mera trovoada seca. Uma origem aparentemente acidental, mas que viria a ser fatal para várias famílias. Dizem algumas testemunhas que o "fogo até voa". Além das dezenas de mortos, muitos foram aqueles que ficaram sem casas, animais e propriedades. É um cenário desolador, e espero que o Estado Português proporcione os meios de apoio necessários no Âmbito da Protecção Civil e na esfera social e psicológica.
Discursos bonitos nestas horas negras todos são capazes de fazer, mas não quero ver estas famílias depois esquecidas e remetidas para a desgraça, como se sucedeu já noutros casos similares ocorridos no passado.
No entanto, hoje somos Portugal, pelo que enviamos as condolências aos familiares das vítimas!
Força Pedrógão! Força Portugal! Força bombeiros!