terça-feira, 7 de janeiro de 2014

10 Perguntas, 10 Perspectivas com Ana Roxo

É com enorme satisfação que realizamos esta entrevista a Ana Roxo, uma personalidade que se tem vindo a destacar na poesia e na elaboração de contos (publicaremos inclusive um em breve). Reside em Esmoriz, gosta imenso da sua terra e já lançou igualmente um novo blog que pode ser consultado em: http://angelsinmyinspiration.wordpress.com/
Exposta esta breve contextualização, passamos agora à entrevista.


Boa tarde, Cara Ana Roxo:
Antes de mais, agradecemos, desde já, a sua disponibilidade para a realização desta entrevista.
1 – Comece por salientar os projectos profissionais e cívicos em que esteve envolvido desde o início da sua carreira. Por outras palavras, faça uma apresentação do trabalho que desenvolveu até agora.

Nos tempos mais idos de juventude, fiz parte do Grupo de Jovens de Esmoriz e, foi trabalhando para a comunidade, organizando almoços no Pinhal da Paróquia, que eu e os outros jovens fomos a Israel em 1999.
Neste momento, encontro-me desempregada …Tenho muitas ideias em que infelizmente, são como a história da omolete: sem ovos, não posso fazer. 
No entanto, depois de ter estudado Estudos Portugueses e Alemães na Universidade do Minho e ter estagiado em Vila Praia de Âncora numa escola, não me foi difícil arranjar trabalho depois do estágio terminado. Em mês e meio, arranjei. Comecei por trabalhar na área de hotelaria/turismo, como recepcionista e acabei por gostar, acabando por ficar um «bichinho». Gosto muito do intercâmbio cultural entre diferentes culturas, que o turismo proporciona. 
Durante algum tempo ainda sonhei com a carreira no ensino, trabalhar numa escola, mas hoje em dia, já não me vejo nesse papel, pelo menos não numa escola.
Já trabalhei na Bi-Silque, também. Já trabalhei novamente na área turística como tradutora para falantes de língua alemã e já fui dando umas explicações de português, alemão, dei apoio ao estudo. Porém, o que mais desejo é que o novo ano me traga o tão ambicionado emprego, para poder concretizar projectos.


2- Na sua opinião, como é que vê a Cidade de Esmoriz? Como é que a descreve?

Eu vejo Esmoriz como uma cidade com capacidades para ir mais além. Há muitas coisas a fazer, sim. Há muitos problemas a resolver, mas penso que Esmoriz precisa de gente com ideia e também de capital. Penso que tem futuro como destino turístico, uma vez que, na minha visão, Esmoriz, encontra-se muito subaproveitada nesta área, que, na minha opinião, penso que será a que lhe dará maior reconhecimento. O que nos distingue mais é a praia, o mar, a Barrinha, agora até o Buçaquinho… então, por isso, mesmo penso que deveria ser um destino turístico mais elevado, o que também traria melhorias na economia e no prestígio da cidade.


3- Que obras, considera mais urgentes para a localidade? 

Penso, que já se começaram a fazer algumas: nunca vi tanta estrada a ser arranjada como agora. Finalmente vai andar para a frente a habitação social: era bem necessária e já há muito prometida. Penso que falta um espaço onde os idosos possam ficar, um espaço onde possam ser bem tratados: um lar público que permita a todos os idosos lá permanecer dia e noite.
Penso que o Esmoriztur deve ser reabilitado, como espaço cultural, que é e para isso foi criado.
Penso que se deve tentar travar mais o avanço do mar, acho que só o paredão não dá e precisa de se fazer alguma coisa.
Mas penso, sobretudo, que quem mais sabe o que faz mais falta fazer é o povo e o povo deve ou devia ser consultado.


4- Como sei que admira a cultura, o que pensa da reabilitação do Esmoriztur? 

Para mim, penso que é um espaço vital para a nossa cidade e não faz sentido nenhum estar fechado: só se deteriora mais. E temos um espaço desses, para quê recorrer a espaços de fora, se este, revitalizado, será uma mais-valia. Foi um espaço criado para os Esmorizenses, certamente muitos se lembrarão das sessões de teatro, de cinema, de saraus escolares que por lá passaram. Este espaço não pode morrer. É preciso deitar-lhe a mão o mais depressa possível: a cultura e os Esmorizenses merecem!


5- E a Barrinha, que tanto admira, será que algum dia merecerá o tratamento devido por parte daqueles que deveriam olhar pelo bem-estar das comunidades?

Gostaria de pensar que sim, que alguém poderia fazer realmente a diferença, no meio de tantas promessas já perdidas no tempo. Eu, devido à minha idade, não me recordo de ver a Barrinha como os meus familiares falavam e mesmo pessoas de Braga, cidade onde estudei, reportavam-se à Barrinha de outros tempos: de águas límpidas, dos seus barcos, do peixe, dos mergulhos…Já a conheci, assim, «doente», não obstante isso, continua mesmo assim bela e a ser a casa de muitas aves e a albergar muitas espécies de plantas.
Sinceramente, espero que haja alguém que faça pela Barrinha o que ela mereça que se faça, para que fique ainda mais bela, despoluída e, que os problemas se resolvam e não seja só «fogo de vista e atirar-nos areia para os olhos».


6 - Descreva-nos quando, onde e como surgiu o seu gosto pela arte poética. 

O meu gosto pela poesia, surgiu na adolescência, porém, o meu gosto pela escrita em si, já nasceu na escola primária. De facto, a poesia é o género literário que mais me toca o coração, mas escrevo um pouco de tudo, nomeadamente, artigos de opinião, contos... Penso, que posso escrever o que me pedirem, também.


7 – Já pensou em participar nalguns concursos de poesia? E que tal redigir um livro?

Quando tinha 17 anos, houve um concurso de poesia nas escolas a nível nacional, a minha professora de português, escolheu o meu poema na altura sobre uma criança e a guerra, para participar num concurso, mas eu era tão tímida e não muito segura de mim, e não concorri. 
Quanto a outros concursos, vou participar num, sim, mas de contos, não de poesia.
Tenho sim, na mente, escrever livros, não apenas um. Apesar do meu gosto pela poesia, não vou começar por um livro de poesia, mas quero, primeiro escrever um para o público infanto-juvenil e já começou a ser esboçado.
No fundo, o meu gosto mesmo é pela escrita e pela magia que em mim desperta, embora a minha musa seja mais a poesia.


8- Refira-nos aquilo que menos aprecia na Cidade, isto é, situações que têm de ser urgentemente melhoradas. 

Penso que já se está a arranjar muitas ruas, mas ainda há umas quantas cheias e buracos, nunca tinha visto, uma intervenção a este nível, mas há outras também em muito mau estado e cheias de buracos.
Também há alguns passeios em mau estado.
Acho que os pequenos comerciantes vivem também uma situação complicada, não somos propriamente uma cidade de comércio, mas se o que se procura há cá e bem sei que há pouco dinheiro, se há cá, para quê ir para fora? Vejo muita gente que prefere a ir fora a comprar cá, ou a comprar aos nossos comerciantes.
Não gosto de ver a casa onde morou a Florbela Espanca como está. Está certo que ela não era de cá, mas passou uma pequena parte da sua existência cá e penso que como grande figura que é a nível nacional, penso que a sua casa deveria estar em condições e quiçá serviria de museu.


9- Esmoriz é terra que já acolheu grandes poetas: Florbela Espanca, Boanerges Cunha, Isabel de Sá e António Maria. Algum destes é uma referência sua? Ou tem outros ídolos da literatura?

Gosto muito da Florbela Espanca, para mim é a nossa maior poetisa. Também gosto de Marquesa de Alorna. Aprecio outros, também, mas Florbela Espanca tinha qualquer coisa de diferente e conseguiu descrever um sentimento como o amor, que como sentimento que é dificilmente se traduz em palavras e ela fê-lo muito bem. Além disso viveu cá um período curto de tempo.
Gosto muito também de Camões e de Fernando Pessoa. Este último, era outro génio e identifico-me mesmo com a pessoa que ele foi em alguns aspectos e não só como escritor/poeta.
Mas somos um país de poetas, refiro estes, porque são aqueles com os quais me idêntico, mas este é um mundo grande de talentos.


10- Por fim, transcreva-nos o poema que considera mais bonito sobre a nossa terra.

Sem dúvida, que o poema que mais define a nossa terra e o mais bonito é o que encontramos na «Marcha de Esmoriz» cantada por José Reis, letra de Sául de Oliveira e música de Luís Marques.  
…« Esmoriz é um jardim, um jardim à beira-mar.
Esmoriz tem nos lábios uma canção,
Para dar a quem por aqui passa…
Esmoriz tem no seu peito um coração.
Onde ninguém já o ultrapassa…»
Fica a versão musical  que é a poesia em música! 


Agradecemos, desde já, todo o tempo que despendeu! 




Imagem nº 1 - Ana Roxo foi a nossa "convidada" especial. Em breve, realizaremos ainda mais uma ou duas entrevistas.



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